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Pinguins 2010


Mais um desafio e mais uma vez se formou um grupo de amigos que sabendo ao que iam, não deixaram de estar entusiasmado com 4 dias privados de qualquer conforto que para nós é um dado adquirido e muitas vezes não valorizamos.

O próprio lema dos Pinguins neste ano foi:

UN RETO - HAY QUE SENTIRLO (Um Desafio – Há que Senti-lo).

E como é verdade. Nem mesmo esta crónica fará passar o sentimento vivido.
 
Como de costume, este evento teve lugar no segundo fim-de-semana de Janeiro e neste ano foi de 07 a 11 de Janeiro. Nós regressámos no dia 10 (Domingo).

O grupo deste ano compôs-se de 7 elementos:


 

Armando Sousa

Rui Risota
Alexandre Neves
Cláudio Nascimento
Álvaro Mesquita
Mário Dias
João Almeida


Enquanto para o Rui Risota e o Armando este evento iria ser uma estreia, para os outros eram mais uns Pinguins que, conforme os anteriores, nos iria proporcionar óptimos momentos de confraternização e convívio. Outros companheiros infelizmente e por diversos motivos, não se puderam juntar a nós. Foi com muita pena nossa (e de certeza mais para eles) pois quantos mais, melhor. Sentimos a vossa falta companheiros. Wink Posto isto, vamos ao que interessa:

07 de Janeiro (Quinta Feira)

O Ponto de encontro: Área de Serviço de Aveiras

A hora: 06h30 da manhã para café e dois dedos de conversa para arrancar às 07h00.

Cheguei por volta das 06h40 e já se encontrava lá o Armando (pelo menos vi a sua Pan). Onde ele estava não sei pois fui tomar o pequeno-almoço e só o vi depois de regressar do mesmo. Chega de seguida o Cláudio, o Risota, o Álvaro, o Alexandre e, como de costume, o Mário.  Labios fechados Grin


 

Dois dedos de conversa, combinar a próxima paragem e toca a agasalhar que as temperaturas eram baixas mas sem chuva.
Arrancámos e como de costume, paragem na Área de serviço de Abrantes para aquecer e atestar pela ultima vez em terras lusas. O frio que se fazia sentir tirava por completo a sensibilidade dos dedos. Estava frio e ponto final. 

Em Abrantes, lembrámo-nos que era dia de aniversário do nosso presidente. O Alexandre pegou no seu telefone, colocou-o em alta voz para quem passava, apenas se apercebia que haviam 7 marmanjos a cantar os parabéns a alguém. Valeu a pena pois ouvimos o nosso presidente a soluçar do outro lado do telefone. Porquê? Não sabemos.


 

Temperatura recuperada e siga. Normalmente a paragem seguinte seria em Fuentes de Onoro no entanto o frio era tanto que decidimos parar na área de Serviço do Fundão. Não valia a pena nos martirizarmos pois o andamento era muito bom.


 

Próxima paragem então em Fuentes de Onoro para abastecer gasolina 0,20€/litro mais barata e como era cedo (cerca de 11h00 da manhã) resolvemos fazer mais uns quilómetros e depois almoçar em qualquer lado. 


Encontrámos um restaurante bastante acolhedor e toca a encher o “depósito”. Foi um cozidinho de comer e…….nunca mais. Não há gastronomia como a nossa.  Lingua

Daqui para a frente pouco há a comentar à excepção do frio mas este, já era nosso conhecido.

Chegada ao local do Pinguins em Puente Duero por volta das 15h30. Tudo ainda calmo com muito espaço à escolha. O local que escolhemos foi óptimo pois tínhamos uma mesa e um banco e não era nem muito afastado do centro da concentração mas também não muito próximo. Aqui começa a nossa “luta” com a montagem das tendas. Varão para a esquerda, livro de instruções para a direita, pano vermelho aqui e azul ali. Ao fim de cerca de uma hora, todos tinham as suas “barracas” montadas e estava na hora de ir à lenha pois pelas previsões a temperatura ainda iria baixar mais. E assim foi. A luta inicial de atear a lenha húmida mesmo com as acendalhas e gasolina, não foi fácil.


Barracas montadas, lume aceso, está na hora de reconhecimento ao recinto.
De regresso ao acampamento, cada um contribuiu com algo para a grelha. Este ano havíamos decidido levar grelhador e conteúdo. Chouriço, febras, pernas de frango, entremeada…um banquete autêntico. Nota ++ para o Risota que adicionalmente levou: Alface, Cenoura descascada, fruta e um garrafão de vinho. Onde ele meteu aquilo tudo…só deus sabe. A minha tenda foi nomeada de “dispensa”. Assim seja. Havia espaço com fartura.

As noites à volta da fogueira são o ponto alto destes convívios pois aqui nos damos a conhecer um pouco mais. Não há tabus e todo o tipo de conversa vem à baila. A língua não encontra fronteiras pois aqui, vale tudo. Excelente convívio.
 


O pior de tudo são as noites. As tendas estão geladas, a bexiga ao rubro e o ruído ensurdecedor. Pouca vontade há para nos deitar-mos mas cada uma à sua hora o fez.

08 de Janeiro (Sexta-Feira)

O dia “acorda-nos” com um Sol fantástico, mas muito frio. São cerca de 07h30 locais e a vontade de sair da tenda enorme. Sou o primeiro a sair desta e pergunto: “Há alguém acordado?”.


Respondem três: Álvaro (com a sua mensagem matinal habitual), o Armando e o Alexandre. 


Decidimos ir à Vila para tomar o pequeno-almoço e comprar pão fresco para o almoço e mais uns artigos do talho. A Vila fica a cerca de 15 minutos a pé. Dá para aquecer e ver o Rio Douro que com o Sol, fica lindo. No café, saí uma “tostada” e um “café com leche”. Normalmente é aqui que se aproveita para limpar a tripa pois uma sanita, é coisa que não existe no acampamento e as que existem, fazem passar a vontade.

De regresso ao acampamento, já mais alguns Pinguins mostraram o ar da sua graça. O decorrer do dia faz-se olhando para os viajantes a chegarem, a ver cada vez mais o espaço ao nosso redor a ser ocupado e com umas voltas pelo recinto. Aproveitei para comprar uns “funis” para os punhos pois a viagem, foi dura para as minhas mãos e o regresso, de certeza que não iria ser melhor. O grosso do tempo é passado à volta da fogueira. Hora de almoço e grelhador para cima das brasas. As horas passam e cada vez mais Pinguins vão chegando. São de todas as nacionalidades.


Ao entardecer juntam-se a nós dois companheiros portugueses vindos da zona de Vila Real. Um na sua Goldwing (o Vitor) e outro na sua LT (o Duarte). Malta porreira e que também contribuíram para o festim com Alheiras Caseiras, vinho e castanhas. O Vitor foi só ver tampas a abrir da Goldwing e material a sair de lá de dentro. Aquilo é mesmo grande.
À noite à volta da fogueira também com estes companheiros era histórias de tempos passados, situações caricatas, aventuras de viagens e episódios da vida. Um pouco de neve começou a cair e nós esperançados mas…foi só mesmo um pouco.
Ao nosso lado estavam acampados companheiros do MCP (Moto Clube do Porto). Um abraço para eles pois foram uns vizinhos à maneira.

Como de costume (e também já o havia dito), convívio do melhor. 
Nota 10 para o Risota, o Álvaro e o Mário que animaram o serão. A música já se ouvia do recinto principal e prometia ir pela noite dentro. Enganámo-nos, foi pela madrugada a dentro.


09 de Janeiro (Sábado)

Neste dia havia passeio. O Cláudio ia-nos levar a Peñafiel. 
Localidade a cerca de 50 Km. O dia estava lindo e o frio também estava presente. Fizemos o passeio em passo lento. O Risota devido a uma indisposição não nos pode acompanhar com muita pena nossa mas nestas coisas mais vale não arriscar.


Quase a chegar a Peñafiel, a temperatura começou a baixar e começou a nevar. Um espectáculo da natureza. 
Parámos as motas na “Plaza Del Corzo”. Local lindo. Era aqui que se faziam as touradas. Os habitantes destas casas, eram obrigados a abrir as portas de sua casa em dias de espectáculo e deixar entrar os espectadores. Fora do normal mas fazia sentido uma vez que não haviam bancadas. Começou então a procura de um restaurante.


Nada como perguntar aos locais acerca de um restaurante BB (bom e barato). O Cláudio perguntou a dois “companeros” que estavam de carro onde poderíamos comer e estes foram IMPECÁVEIS: Ligaram para um restaurante e melhor que nos indicar o caminho, levaram-nos lá de carro em duas viagens (três de cada vez). Malta porreira.


Em Peñafiel uma das especialidades é o Cabrito no forno chamado “lechazo”.


Apenas o Álvaro e o Alexandre são apreciadores. Os outros, decidiram-se pelo “Solomillo” que é lombo.


Todos fomos unânimes: comida excepcional e serviço a condizer. No final fomos convidados pelo proprietário do restaurante a visitar as suas caves de vinho. Alem do vinho, ali também eram servidas refeições quando necessário. Fantástico.


De seguida decidimo-nos por visitar o Castelo. Este Castelo tem uma particularidade: foi construído em formato de navio. De facto, um Castelo lindo.


Visitas feitas e toca a regressar ao acampamento. Que confusão! Milhares de motas a entrar e sair do recinto. Realmente há muito Pinguim em Espanha.  Grin
Fogueira com eles pois as temperaturas continuavam a baixar e o único local agradável, era ao pé da fogueira. Convivo, convívio e mais convívio. Musica, música e mais música…até de madrugada.  Lingua

10 de Janeiro (Domingo)

Acabou-se. Ou quase. Falta a viagem de regresso. Começamos a desmontar o acampamento e o resto da tralha. Carregar as motas e…a caminho. Nas placas electrónicas de informação das AE apenas se lia 
Antecipe o seu regresso. Previsões de Neve”.

O Armando havia decidido ir via Cáceres pois poupava cerca de 200Km de viagem caso fosse por Lisboa. Veio-se a verificar como sendo um erro mas vá-se lá adivinhar.

 

Seguimos juntos até Salamanca onde o Armando se desviou do nosso trajecto.

A partir daqui começou o que já se esperava: NEVE.
Paragem em Fuentes de Onoro para a ultima “atestadela” e almoço para dar ânimo. O Risota ainda não recomposto da sua indisposição, decidiu seguir sozinho. Embora não nos agradasse deixá-lo seguir sozinho por motivos óbvios, ele seguiu.

Para nós rumo a Lisboa, foi desde Salamanca até quase a Castelo Branco debaixo de neve. Foi lindo, uma experiência incrível mas também com algum Stress pois foi a primeira vez. Curioso foi que em Espanha toda a AE estava impecável e viam-se limpa-neves para cima e para baixo. Entrando em Portugal a única coisa que vimos, foi a informação nos painéis electrónicos com a mensagem “Circule pela via da direita”.  Zangado

Curta paragem na Área de Serviço do Fundão para limpar as ópticas das motas que já não se viam devido ao gelo acumulado e para aquecer um pouco a alma. A neve era densa e a visibilidade era pouca. Eu liderava a comitiva e pouco depois de arrancar, deixei de ver os meus companheiros. O que teria acontecido? Pensei o pior mas não parei pois a visibilidade era muito deficiente e estava com receio de parar na AE. Via luzes ao fundo e pensava que eram eles…não eram. Sempre a 60 Km/h aguardava por eles e a minha ideia era de parar na Área de serviço seguinte e ligar a eles. Felizmente apareceram e seguimos viagem.

A última paragem para atestar e despedidas foi em Abrantes. Aqui fiquei a saber que haviam feito uma paragem na AE pois a Deauville do Álvaro havia acendido a luz do óleo. Verificou-se que teria sido da baixa temperatura. Nada de grave.
Despedidas feitas e partimo-nos em dois grupos pois o trânsito daqui para baixo seria mais intenso e mais perigoso para fazer em grupo.

De Santarém para baixo levámos com um bónus: CHUVA TORRENCIAL. Foi até casa.

Por volta das 19h30, todos tínhamos chegado a casa sãos e salvos. Todos menos um: o Armando. Cerca das 20h00 ligou-me e informou-me que teria ficado retido antes de Cáceres devido a um forte nevão. Não estava só o que me deixou mais tranquilo. Tinha-se juntado ao pessoal do MCF (Moto Clube de Faro). Teve infelizmente de passar a noite numa Área de Serviço. Chegou são e salvo no dia seguinte.

No final, tudo correu bem.

Na minha opinião, esta foi uma viagem bastante dura. A viagem com temperaturas sempre negativas custou-me um dente (“matei-o” segundo a minha médica devido à pressão durante horas sobre o mesmo devido ao frio, uma testa pelada e umas mãos completamente doridas (apesar de punhos aquecidos, luvas e “funis”). 
Foi no entanto um evento enriquecedor pois fiquei a conhecer melhor o Armando e o Risota. Já tinha uma ideia acerca deles e esta confirmou-se. São dos nossos. Dos outros participantes, já o havia confirmado na nossa primeira incursão aos Pinguins.  Wink

O que nos move para fazer uma viagem com as probabilidades de intempéries desta época, para acampar com temperaturas negativas, para prescindir-mos do conforto e dos nossos familiares.
 
Eu só posso dizer o seguinte:

UN RETO - HAY QUE SENTIRLO

Um abraço a todos e para o ano…logo se vê se tenho mais dentes para sacrificar.  Grin



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